O novo modelo de crédito imobiliário anunciado pelo governo federal deve gerar impacto positivo no mercado da construção civil em Goiás. A proposta do governo busca atender famílias que não se enquadram nas faixas do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), mas que também não conseguem comprar um imóvel com as atuais taxas de mercado. A notícia animou entidades do setor. Goiás deve ser beneficiado com mais de 10% das 80 mil novas unidades previstas pela Caixa Econômica Federal (CEF).
A medida amplia o acesso ao crédito habitacional para famílias de classe média, ao elevar o valor máximo dos imóveis financiados pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH) de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões. O programa também passa a atender famílias com renda entre R$ 12 mil e R$ 20 mil, com juros limitados a 12% ao ano.
Outra mudança importante é o fim do depósito compulsório, ou seja, da exigência de que os bancos mantenham parte dos recursos da poupança retidos no Banco Central (BC). A liberação desses valores deve aumentar o volume de crédito disponível para o setor habitacional.
“A medida deve aquecer o mercado imobiliário já no curto prazo, estimulando famílias da classe média que aguardavam condições melhores de financiamento. A médio prazo, o setor ganha ritmo mais estável e previsível, com maior equilíbrio entre oferta e demanda”, afirma Marcello Merzian, diretor de Incorporação da MZN Incorporadora, bacharel em Economia pelo Insper, com passagem por empresas internacionais, como o Citi, banco nos Estados Unidos.
O executivo da MZN explica que atualmente existe uma grande demanda reprimida de famílias que não se enquadravam no MCMV e encontravam dificuldades com as taxas de mercado. Esse novo formato amplia o acesso ao crédito e pode destravar muitas compras que estavam represadas.
“A ampliação do acesso ao crédito fortalece o setor e deve impactar positivamente as vendas dos empreendimentos em andamento, como o Terrê By MZN, no Setor Bueno; o Casa Du Lago, próximo ao Lago das Rosas, no Setor Oeste; e o Paradizzo, no Parque Cascavel.
Entusiasmo das entidades de classe
Em entrevista ao portal Empreender Goiás, representantes de entidades ligadas à construção civil e ramo imobiliário, revelaram entusiasmo com a nova medida. O diretor de Pesquisas da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO), Credson Batista, afirmou que “A ampliação do limite do SFH e a liberação do compulsório tornam o crédito mais acessível para imóveis de médio padrão, o que democratiza o acesso e deve impulsionar as vendas nos próximos meses”.
O presidente do Secovi-GO, Antônio Carlos, reforçou o impacto esperado da medida, lembrando que a Caixa Econômica Federal (CEF), tradicionalmente, oferece as menores taxas do mercado. Desta forma, segundo ele, se essa nova linha de crédito vier com juros mais baixos, o resultado será expressivo.
O presidente do Secovi-GO lembrou que Goiás ainda tem um déficit habitacional grande para imóveis de até R$ 500 mil. Com juros mais atrativos, a demanda reprimida deve movimentar o setor. “O déficit nessa faixa de valor continua alto e representa uma boa oportunidade de mercado. Com mais crédito disponível, tende a haver maior estímulo a lançamentos voltados para esse público”, explica Marcello Merzian.
A diretora do Sindicato da Indústria da Construção no Estado de Goiás (Sinduscon-GO), Carolina Lacerda acrescentou que há demanda reprimida na capital e no interior. Mas o sucesso do programa estará condicionado à localização dos projetos, à faixa de preço e às condições de financiamento. “A classe média é um público sensível ao custo final. Se o crédito vier com taxas competitivas, o impacto será direto na retomada dos lançamentos e nas vendas”, revelou ao Empreender Goiás.